Às manhãs sussurrei o quanto sentia. Presa em vestes quentes não me permiti tentar o frio. Pela janela observava a luz tomando a cidade. A bela visão, no entanto, enganava. A dor estava presente. O frio era certo. Termômetros por ali diziam a verdade. De uma hora para outra, tendo em vista tal antagonismo, surtei e ousei. Desprotegida saí em busca do real, queria-o em mim. Pelo atrevimento, fui castigada. As pontas dos dedos começaram a formigar, lábios ficaram roxos, dentes se batiam. Gargalhadas soavam em minha mente. Os olhares deferidos eram de zombação. Senti-me mal, extremamente mal. Dei-me conta de que a dúvida era o preço da segurança e que, no final das contas, seria inútil ter certeza. Não poderia confiar. Sozinha, senti o frio ainda mais frio. Conscientizei-me de que poderia morrer ali. A postura a ser tomada ditaria o fim da aventura...
segunda-feira, 11 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Com a cabeça mirando o chão, um olhar fixo e um meio sorriso desprendo:
Hoje foi mais um daqueles dias em que acordo pensando nele. Mais um dia a repassar as palavras perfeitas para a prosa perfeita. Mais um dia a repensar, a desconfiar da intuição.
Triste.
Um pé atrás é regra. Ou era. Quem sabe estivesse sendo moldada. Quem sabe...
Quem sabe ainda dá para continuar nesse joguinho. Não é divertido brincar de viver? Não é divertido brincar de se entregar? Não é divertido brincar com o sentir?
É... Talvez... Já tenha dado o tempo.
Tempo de se perceber que não suporto mentiras.
Tempo de se perceber que eu não sou uma farsa e que NÃO QUERO FARSAS.
Hoje foi mais um daqueles dias em que acordo pensando nele. Mais um dia a repassar as palavras perfeitas para a prosa perfeita. Mais um dia a repensar, a desconfiar da intuição.
Triste.
Um pé atrás é regra. Ou era. Quem sabe estivesse sendo moldada. Quem sabe...
Quem sabe ainda dá para continuar nesse joguinho. Não é divertido brincar de viver? Não é divertido brincar de se entregar? Não é divertido brincar com o sentir?
É... Talvez... Já tenha dado o tempo.
Tempo de se perceber que não suporto mentiras.
Tempo de se perceber que eu não sou uma farsa e que NÃO QUERO FARSAS.
domingo, 13 de março de 2011

Às vezes, sinto-me viciada em doses de você. Uma droga diferente: pseudodependência. Estou me acostumando a não sentir culpa em ser feliz. Pouco a pouco, fica mais distante a influência de um passado cheio de tristezas. Pouco a pouco, sinto a necessidade de não me basear apenas em lembranças. E cada vez mais digo não ao medo. Deixo a vontade de viver se insinuar em gestos, situações. Passada a razão excessiva; coração passa a ter mais autonomia para definir sob qual ritmo funcionar.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Lóri estava triste. Não era uma tristeza difícil. Era mais como uma tristeza de saudade. Ela estava só. Com a eternidade à sua frente e atrás dela. O humano é só. Ela quis retroceder. Mas sentia que era tarde demais: uma vez dado o primeiro passo este era irreversível, e empurrava-a para mais, mais, mais! O que quero, meu Deus. É que ela queria tudo.
Clarice Lispector
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
"São Paulo, 5:03 da manhã sinto a ferrugem, telefone continua calado
Chego em casa, tomo meu wisky e alimento mais a minha solidão
O gosto amargo insiste em permanecer no meu corpo
Corpo...corpo...está nú...
Gelado com o peito ardendo, gritando por socorro, preste a cair do 14º andar...
A sacada é curta, o grito é inevitável...
Eu vou acordar o vizinho, eu vou riscar os corpos, eu vou te telefonar...
E dizer que eu só preciso dormir..."
Corpo...corpo...está nú...
Gelado com o peito ardendo, gritando por socorro, preste a cair do 14º andar...
A sacada é curta, o grito é inevitável...
Eu vou acordar o vizinho, eu vou riscar os corpos, eu vou te telefonar...
E dizer que eu só preciso dormir..."
Edgard Scandurra
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Porque, do mesmo modo que um olhar é silencioso, pode também dizer tudo... E desse todo, espero somente que o principal seja extraído. Que fique nítida a mansidão com a qual ajo. Não peço, não vou. Ofereço! Se quiser, se puder, aceite. Se bem lhe parecer, retribua. ... Até então, deixo o meu "Eis-me aqui".
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Talvez seja a simplicidade, talvez seja a paz, talvez seja o puro carinho, talvez seja, sei lá, as caretas, os sorrisos, as piadas. Talvez seja eu, você. Ou talvez sejamos nós. Seja o que for, estou cada vez mais diferente. Às vezes, como se fosse forte, esqueço ou ignoro o medo. E é em momentos como este que volto a acreditar na existência de alguém cujo objetivo não é ferir. E é em momentos como este que minha felicidade se espelha e eu tento, como posso, retribuir.
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